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	<title>iG - Blogs e Colunistas &#187; Mundo</title>
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	<description>Lista completa de todos os blogs e colunas presentes no portal iG</description>
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		<title>Caetano Veloso ataca de novo</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Nov 2009 17:55:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Régis Bonvicino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo e Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo e opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>

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		<description><![CDATA[É bastante provável que Caetano Veloso vá votar em Marina Silva porque ela é (embora disfarce) criacionista, ou seja, não acredita na evolução das espécies, em Charles Darwin. O CD &#8220;Zii e Zie&#8221; (2009) não fez sucesso. O filme &#8220;Coração Vagabundo&#8221; (2009) idem. Veloso não produz nada digno de nota há  seguramente  duas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É bastante provável que Caetano Veloso vá votar em Marina Silva porque ela é (embora disfarce) criacionista, ou seja, não acredita na evolução das espécies, em Charles Darwin. O CD &#8220;Zii e Zie&#8221; (2009) não fez sucesso. O filme &#8220;Coração Vagabundo&#8221; (2009) idem. Veloso não produz nada digno de nota há  seguramente  duas décadas. Seu momento pós-tropicalista é desigual. Seu cancioneiro lírico-amoroso, basicamente, heterossexual, é papai-mamãe, convencional: idealiza o amor e o trata com raiva, cinismo e ou ironia, para posar de amante rejeitado pela musa ou conquistador, lirismo vazado, muitas vezes, em jargão da moda, que, em seu caso, substitui a própria ideia de letra, de lyrics.<P>Enumero algumas canções nessa trilha: Eu te amo, Vera gata, Dom de iludir, Ela e eu e até Queixa, que, para narrar uma situação de amor aberto, usa vocábulos kitsch, metáforas horrendas: Princesa, surpresa, você me arrasou / Serpente, nem sente que me envenenou / Senhora, e agora me diga aonde eu vou / Senhora, serpente, princesa. Sem falar, no caso, na assonância, musicalidade, de ouvido mouco. Veloso é abstratizante em suas letras  vago, para parecer profundo. Não há concretude de linguagem, exceto no curto período tropicalista. E, depois, aqui e acolá. Suas canções são musicalmente pobres, quadradas, sem a força primitiva das de um Jorge Ben Jor. Veloso é um anti-Sam Cooke, que fazia do simples e direto algo de extraordinário. </P><br />
<P>Como não faz mais sucesso de estima e nunca fez de massa, Veloso se vale da velha tática. Atacar alguém, para levar público ao show. Desta vez, foi Luiz Inácio Lula da Silva, chamado de analfabeto e grosseiro e cafona ao falar. Quis surfar em popularidade alheia. De fato, um dos maiores erros de Luiz Inácio Lula da Silva foi ter nomeado Gilberto Gil para ser seu Ministro da Cultura e, depois, de ter empossado Juca Ferreira, o discípulo do autor de Aquele abraço. Ao ser indagado sobre a Lei Rouanet, do qual tem se beneficiado há década, Veloso se calou, saindo-se com essa: Não sou muito bom nesse negócio. Imagine se fosse. Dois exemplos recentes: a turnê do medíocre &#8220;Zii e Zie&#8221; foi autorizada a captar recursos milionários por Ferreira, contra parecer da comissão do MinC que examina os casos. &#8220;Coração Vagabundo&#8221; foi igualmente em parte financiado por essa Lei. </P><br />
<P>Ou seja, ele foge do debate de assuntos culturais. Esconde sua cabeça, como sempre fez. A Lei Rouanet transformou a cultura em objeto de comunicação social de corporações: na verdade, acabou com a cultura, com o conceito de o Estado amparar a cultura e não estimulou a criação de um mercado, que é pujante no liberalismo anglo-americano, que Veloso, na mesma entrevista, declara-se admirador. A Lei Rouanet precisa ser revogada. Claude Lévi-Strauss define cultura: Em sua acepção geral, cultura designa o enriquecimento esclarecido do juízo e da capacidade de distinção. Veloso, como aponta Francisco Alambert, em nome da cultura, promoveu, desde os tempos do tropicalismo, a indistinção geral. O que no tropicalismo era, entretanto, abertura, tornou-se depois mero mecanismo de mercado, farsa. </P><br />
<P>Veloso incorporou do conceito de Lévi-Strauss o termo enriquecimento esclarecido. Por isso talvez admire políticos quatrocentões como Aécio Neves, Ciro Gomes ou Mangabeira Unger  que eu nunca soube distinguir do Professor Pardal. Em virtude de seu enriquecimento esclarecido talvez critique a vulgaridade de Luis Inácio Lula da Silva e a paulistanidade deste e de José Serra, o italianinho  ambos produtos da decadente USP. Diz, como sempre, barbaridades: O Serra é o tipo do cara que, se tivesse ganho no lugar do Lula, em 2002, teria trazido mais problemas à economia brasileira. Ele teria feito um governo mais à esquerda e a economia talvez tivesse problemas que não está tendo porque o Lula fez a economia à direita. E conclui do alto de sua cátedra: O Lula foi mais realista do que o rei. Foi bom, a economia deslanchou. O governo Lula tem problemas, falhas, mas Luis Inácio Lula da Silva é o presidente mais forte que o Brasil teve depois de Getúlio Vargas. É um mito, aqui e alhures, com uma trajetória política. O literato Sarney fala bem e, como Veloso sabe, proibiu o filme &#8220;Je vous salue Marie&#8221;, de Jean-Luc Godard, quando era presidente. </P><br />
<P>Não votarei em Marina Silva. Ela integrou o governo Lula por seis anos e, nesse período, não executou um projeto sequer de peso. Limitou-se a bloquear a ação alheia, segundo divulga. Suas opiniões são as de um cidadão comum, embora tenha sido Ministra de Estado. Não se fez propositiva, não se impôs. Ela não é a soma de Lula da Silva e Barack Obama, como a define Veloso napoleonicamente. A senadora é evangélica. Missionária da Assembléia de Deus. Líder informal dessa bancada temática no Congresso. Uma Sarah Palin, à esquerda. No Partido Verde milita um Sarney. A bióloga Cláudia Magalhães denunciou (Época, 21 de maio de 2008) que, quando Ministra, promovia rezas evangélicas em seu gabinete e discriminava outras religiões. Relata que ela ganhou uma carranca no Festival Ecocultural do São Francisco, em Brasília, e se recusou a receber o presente, deixando a festa. Magalhães conclui: Foi quando eu comecei a ver que a fé dela esbarra em sua atuação política. Magalhães informa que a Ministra tinha um Pastor particular, chamado Roberto Vieira, que recebia seus honorários pela Unesco.</P><br />
<P>A República foi proclamada há cem anos: religião não pode se confundir com Estado. A fé não deve bloquear a ciência, embora, com diz Gil, ela não costume faiá. O tema do resgate do meio ambiente  central para humanidade  não qualifica por si só Marina Silva a ser presidente do Brasil. Seria interessante que Veloso tivesse estudado direito, nos dois sentidos. Veloso é um personagem &#8220;old fashion&#8221;, que ainda se sente como antena da raça, que se atribui o papel de porta-voz da sociedade  parece viver congelado no espírito messiânico dos anos 1960, do qual foi, relativamente, beneficiário à revelia, como o tempo revelou. Enfim, como todos sabemos, Veloso  haja vista sua amizade com Juca Ferreira e com Gil  é chegado numa igreja. Cucurucu, Palomaaaaa!</P><br />
<UL><br />
<LI><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><STRONG><a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/11/05/em+entrevista+a+jornal+caetano+veloso+diz+que+marina+nao+e+analfabeta+como+lula+9025985.html"><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><STRONG>Em entrevista, Caetano diz que Marina &#8220;não é analfabeta como Lula&#8221;</STRONG></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></a></STRONG></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN><br />
<LI><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><STRONG><a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/11/05/marina+evita+comentar+criticas+de+caetano+a+lula+9030443.html"><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><STRONG>Marina evita comentar críticas de Caetano a Lula</STRONG></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></a></STRONG></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN><br />
<LI><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><STRONG>iG Música: </STRONG><a href="http://musica.ig.com.br/noticias/2009/11/06/caetano+veloso+vence+dois+premios+no+grammy+latino+9032054.html"><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><STRONG>Caetano Veloso vence dois prêmios no Grammy Latino</STRONG></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></a></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></LI></UL><br />
<P><br />
<P><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN>Leia mais sobre: <a href="http://busca.igbusca.com.br/app/search?o=ULTIMOSEGUNDO&amp;q=Caetano+Veloso" target="_top">Caetano Veloso</a></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></P><br />
<P><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN><SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></SPAN>&nbsp;</P></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Queda do Muro de Berlim não foi o fim da história</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Nov 2009 12:11:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Blinder, de NY</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>

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		<description><![CDATA[NOVA YORK- Estamos em uma maratona de celebração dos 20 anos da queda do muro de Berlim. Mas a história não terminou quando o muro caiu e o comunismo soviético ruiu. Francis Fukuyama errou ou ao menos se precipitou na previsão. No seu ensaio clássico &#8220;O Fim de História&#8221;, de 1989, ele argumentou que nenhum [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>NOVA YORK- Estamos em uma maratona de celebração dos 20 anos da queda do muro de Berlim. Mas a história não terminou quando o muro caiu e o comunismo soviético ruiu. Francis Fukuyama errou ou ao menos se precipitou na previsão. No seu ensaio clássico &#8220;O Fim de História&#8221;, de 1989, ele argumentou que nenhum sistema com credibilidade sobreviveria ao modelo político e econômico praticado pelos EUA e outros países ocidentais. Para Fukuyama, a história passaria a ser uma corrida dos países para recuperar o tempo perdido e concretizar o modelo vitorioso. Afinal, por esta visão, a queda do muro em 9 de novembro de 1989 simbolizou o triunfo da democracia liberal do livre mercado sobre seu último rival ideológico, o comunismo.<UL><br />
<LI><a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/opiniao/caio_blinder/veja_mais/noticias.html?ini=0" target="_top">Leia todas as colunas de Caio Blinder</a></LI></UL><br />
<P>&nbsp;</P><br />
<P>Duas décadas depois e o mundo se cicatrizando de uma crise econômica gravíssima, floresce o debate se existe uma nova competição, com sólidos regimes autoritários apregoando e de fato oferecendo prosperidade e segurança. Este novo modelo incorporou os componentes econômicos essenciais dos vitoriosos (mas não os políticos) e se forjou como o capitalismo autoritário praticado por excelência pela China, e, com menos autocofiança, pela Rússia, países de revoluções comunistas no século 20.</P><br />
<P>Numa maquinação perversa, China e Rússia adotaram uma forma mais eficiente de autoritarismo, e provavelmente mais popular que nos tempos da Guerra Fria. O muro caiu e houve a adoção quase universal do capitalismo, mas não da democracia ao estilo liberal. Basta ver que mesmo em países da Europa Oriental que tanto celebraram a queda do muro e o fim do domínio soviético, existe em amplos setores uma nostalgia dos velhos tempos, quando não havia liberdade mas o básico de bem-estar social era garantido.</P><br />
<P>Já em partes da Ásia, África e em mais próximos rincões bolivarianos, o modelo chinês é uma fonte de inspiração, visto como alternativa ao receituário ocidental, desmoralizado com a encrenca econômica global.</P><br />
<P>A boa notícia é que este novo modelo não pode assumir um tom triunfalista, apesar de sua autoconfiança. Não é fim da história, ainda não dá para saber se a estrutura de poder autoritário, em particular na China, poderá sobreviver com uma sociedade mais sofisticada e dinâmica. Basta ver que na Ásia, alguns países bem sucedidos e hoje democráticos, como Coréia do Sul e Taiwan, mostram que depois de algum tempo prosperidade não quer andar de mãos dadas com autoritarismo.</P><br />
<P>No caso da Rússia atual, embora possa exibir sinais de restauração de glórias passadas, ela é bem menos poderosa do que a antiga União Soviética. E outros dois países-chave no mundo emergente estão no campo solidamente democrático. Um é a Índia. Preciso dar o nome do outro? Ambos podem ser um exemplo alternativo para o mundo em desenvolvimento e não a China.</P><br />
<P>Leia mais sobre <a href="http://busca.igbusca.com.br/app/search?o=ULTIMOSEGUNDO&amp;q=queda+do+Muro+de+Berlim" target="_top">queda do Muro de Berlim</a></P></p>
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		<title>Irã e Síria constroem novo Oriente Médio</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 23:51:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nahum Sirotsky, de Israel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>

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		<description><![CDATA[Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã, não mostra sinal de preocupação com a pressão para que responda às potências sobre a proposta por meio da qual não teria condições de produzir uma bomba nuclear no país em um tempo previsível. Nem se deixou impressionar pela captura, nesta quarta-feira, de um navio transportando vasta quantidade de armas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã, não mostra sinal de preocupação com a pressão para que responda às potências sobre a proposta por meio da qual não teria condições de produzir uma bomba nuclear no país em um tempo previsível. Nem se deixou impressionar pela captura, nesta quarta-feira, de um navio transportando vasta quantidade de armas do Irã, que Israel afirma serem arsenais sírios e do Hezbollah, a organização xiita libanesa.<P>Por incrível que pareça, o presidente iraniano recebeu uma carta de Barack Obama, presidente dos EUA, na data em que 4 de novembro, dia em que o Irã relembra o ano de 1979, quando começou a tomada do poder pela revolução islâmica, e também em que a embaixada dos Estados Unidos foi invadida por estudantes que fizeram reféns diversos funcionários americanos. </P><br />
<P>A carta do presidente americano, que exerce mais pressão pela transparência do programa nuclear iraniano, fala da expectativa de futura normalização das relações entre os países. É a tática de Obama para resolver questões internacionais por meio da diplomacia, que até o momento não mostrou resultado.</P><br />
<P>Mas, mais importante ainda, foi o encontro de Ahmadinejad com o ministro sírio. O líder iraniano declarou ao Ministro do Exterior, Walid Mualem, que as condições no Oriente Médio estariam mudando em favor de seus países.</P><br />
<P>Considerando que as condições na região estão mudando em favor do Irã e Síria e as potências agressivas estão a caminho do declínio, os dois países devem se coordenar para tomarem grandes decisões, disse Ahmadinejad. Se a coordenação da política entre eles for bem realizada, outros países da região se reunirão a eles e um grande e insuperável poder surgirá no Oriente Medio, acrescentou.</P><br />
<P>O ministro sírio respondeu que as relações entre Irã e Síria são tão fortes que nenhum país ou força poderia separá-los.</P><br />
<P>Muslen manteve encontro com o negociador do Irã para questões nucleares. Somos os engenheiros de novo Oriente Médio. E não precisamos de instruções de países que não fazem parte da região, disse ele.</P><br />
<P>A Síria e o Irã são aliados íntimos e têm interesses comuns. Para eles Israel é o inimigo. Uma agência de notícias iraniana informa que o país apoia o Líbano e o Hezbollah, ambos xiitas, no conflito com Israel. O Irã investe e implementa vários projetos econômicos na Síria, que acolhe um intenso turismo iraniano. Qual nível de potência os dois países pretendem construir no Oriente Médio? Para que? Especular é simples. Querem um Oriente Médio Islâmico, sem ser conspurcado por nao-crentes. O único país não muçulmano é Israel.<BR></P></p>
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		<title>Queda do Muro de Berlim: mundo do pensamento único</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 15:57:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Régis Bonvicino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo e Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo e opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Século breve&#8221; é expressão cunhada pelo historiador britânico Eric Hobsbawn (n.1917, Alexandria, Egito) para designar o século XX, que, para ele, em a Era dos Extremos / O breve século XX, inicia-se em 1914, com a Primeira Grande Mundial e se encerra em 1991, com o fim da corrida armamentista.   Veja no Fotoshow [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><P>&#8220;Século breve&#8221; é expressão cunhada pelo historiador britânico Eric Hobsbawn (n.1917, Alexandria, Egito) para designar o século XX, que, para ele, em a Era dos Extremos / O breve século XX, inicia-se em 1914, com a Primeira Grande Mundial e se encerra em 1991, com o fim da corrida armamentista. </P><SPAN> <UL> <LI><a href="http://ultimosegundo.ig.com.br///fotoshow/2009/11/04/queda_do_muro_de_berlim_614892.html" target="_blank">Veja no Fotoshow as imagens históricas da queda do Muro de Berlim</a>  <LI><a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/murodeberlim/" target="_top"><STRONG>Veja o especial do iG sobre a queda do Muro de Berlim</STRONG></a></LI></UL></SPAN> <P> </P> <P>Para Hobsbawn a Guerra Fria terminou quando as superpotências (Estados Unidos e União Soviética) &#8220;reconheceram o sinistro absurdo da corrida nuclear e quando uma acreditou na sinceridade do desejo da outra de acabar com a ameaça nuclear&#8221; (obra citada, p.246). O historiador atribui o gesto mais a Mikhail Gorbachev do que a Ronald Reagan, embora reconheça que este, apesar da retórica da &#8220;Guerra nas Estrelas&#8221;, não pode ter o seu papel ignorado: &#8220;Não vamos subestimar o papel do presidente Reagan, cujo idealismo simplista rompeu o extraordinariamente denso anteparo dos ideólogos, fanáticos, desesperados e guerreiros profissionais&#8221;. </P> <P>A Guerra Fria, última etapa do &#8220;século breve&#8221; terminou com as conferências de cúpula de Reykjavík (1986) e Washington (1987). Hobsbawn separa a extinção da União Soviética do término da Guerra Fria, entendo-as como coincidência. Para ele, a economia soviética, com suas inovações tais como o planejamento econômico, havia perdido sua pujança logo depois do fim da Segunda Guerra e se estagnado a partir da era Leonid Brezhnev, que foi secretário-geral do Partido Comunista de 1964 a 1982 e presidente de 1977 a 1982.</P> <P>A queda do Muro de Berlim, em 1989, deduzo, foi mais uma das coincidências, atribuível igualmente à bancarrota econômica da União Soviética e de seus satélites no mundo todo, exceto a China  aliada comercial dos Estados Unidos desde as articulações de Richard Nixon nos anos 1970  década na qual começa a última etapa do &#8220;século breve&#8221;  a do capitalismo financeiro global, sem lastro na soberania dos Estados nacionais. O pensador escreve: &#8220;Não foi o confronto hostil com o capitalismo e seu superpoder que solapou o socialismo. Foi mais a combinação entre seus próprios defeitos econômicos, cada vez mais evidentes e paralisantes, e a acelerada invasão da economia socialista (&#8230;) pela capitalista&#8221; (p. 247). Para ele, a derrocada da União Soviética foi equivocadamente vista como &#8220;vitória americana&#8221;, quando os Estados Unidos sequer a imaginavam, e dela foi feito uso político, para alavancar a nova economia transnacional.</P> <P>Hobsbawn enumera exaustivamente, no livro mencionado, as características desse &#8220;século breve&#8221;, entre elas destaco o que ele chama de &#8220;destruição do passado&#8221;, a qual adjetiva de &#8220;lúgubre&#8221;: &#8220;os mecanismos sociais que vinculam nossa experiência pessoal às das gerações passadas. (&#8230;). quase todos os jovens de hoje crescem numa espécie de presente contínuo, sem qualquer relação orgânica com o passado público da era que vivem&#8221; (p. 13). Fala de um século de guerras de massa e de genocídios, do século da bomba atômica de Hiroshima e Nagasaki e das inovações tecnológicas que alteraram por completo a vida no planeta. </P> <P>O &#8220;século breve&#8221; é para ele um perído de ruptura com oito séculos anteriores. O historiador vê a Primeira Guerra Mundial como a perda da centralidade européia no mundo e o sintoma armado da ruína do liberalismo europeu do século 19. Já em 1913 os Estados Unidos eram a maior economia do mundo. Vê no ressentimento da derrota alemã o surgimento de Adolf Hitler e o estopim para a Segunda Guerra, que uniu União Soviética e Estados Unidos contra o nazi-fascismo, em virtude da tradição humanista de seus sistemas de governo, embora um fosse liberal e o outro fosse comunista, para ele, tinham uma base iluminista comum. O inimigo maior não era o comunismo soviético para os americanos, mas, o totalitarismo de Hitler e Mussolini. </P> <P>Segundo Hobsbawn, o fim da Guerra Fria retirou de repente os esteios que sustentavam o sistema internacional e as estruturas dos sistemas políticos internos (nacionais) mundiais. De 1945 a 1970, ele recorta o que chama a &#8220;Era de Ouro&#8221; do &#8220;século breve&#8221;, na qual as inovações e riqueza soviéticas emularam e reformaram o capitalismo estadunidense e seu apêndice europeu, no qual ex-inimigos, como Alemanha Ocidental, e também o Japão, no Oriente, alinharam-se aos americanos. São as duas décadas e meia de estabilidade, riqueza e certa justiça social.</P> <P>A etapa final do século é, de acordo com ele, marcada por inovações de mercado que desestruturam as sociedades, os direitos dos cidadãos, e o próprio capitalismo anterior: &#8220;O novo método, iniciado pelos japoneses, e tornado possível pelas tecnologias da década de 1970, iria ter estoques menores, produzir o suficiente para atender os vendedores <EM>just in time</EM> (na hora)  e de qualquer modo com uma capacidade muito maior de variar a produção de uma hora para outra. (&#8230;) Não seria a era de Henry Ford, mas a de Benetton&#8221; (p. 394). Hobsbawn fala de recessões freqüentes nessa etapa final: &#8220;A economia global não desaba (&#8230;) embora a Era de Ouro acabasse em 1973-75 como alguma coisa bem semelhante a uma depressão cíclica bastante clássica&#8221; (p.395).</P> <P>Faz, ao final da extensa obra  obrigatória para quem quiser entender o presente  uma advertência: &#8220;O futuro não pode ser uma continuação do passado e há sinais que chegamos a um ponto de crise histórica. As forças geradas pela economia tecnocientífica são agora suficientes para destruir o meio ambiente, ou seja, as fundações materiais da vida humana&#8221;. </P> <P>O livro é de 1994 e de algum modo antecipa a atual depressão econômica  causada pelo capitalismo financeiro  que só aqui no Brasil é vista como já &#8220;vencida&#8221;, &#8220;superada&#8221;. E prossegue: &#8220;As próprias estruturas das sociedades humanas, incluindo mesmo algumas das fundações sociais da economia capitalista, estão na iminência de ser destruídas pela erosão do que herdamos do passado. Nosso mundo corre risco de explosão e implosão. Tem que mudar&#8221; (p. 562).</P> <P>Autores como Joaquim Estafanía questionam a idéia de &#8220;século breve&#8221; de Hobsbawn e vêem na atual &#8220;grande recessão&#8221; mera sequência das crises cíclicas da segunda etapa da Era de Ouro, iniciada em 1973-75. Concordo em parte, pois havia até a queda do Muro opções ideológicas distintas ainda vivas. Hobsbawn vê, em seu livro, coerência temporal entre a Primeira Guerra e a Era da Decomposição (1973-75), que para Estafanía persiste. Para ele, as bases do atual débâcle são as mesmas identificadas por Hobsbawn entre 1973-75, que se agravaram após a queda do Muro de Berlim. </P> <P>O mais interessante é que de 1914 a 1989 o mundo experimentou uma variedade de ideologias (democracia liberal, social-democracia, socialismo, comunismo), que moldaram  para o bem e para o mal  experiências humanas ao menos minimamente diversificadas. O Surrealismo dos anos 1920, de André Breton, foi um movimento que se preocupou mais com a imaginação do que com o resultado formal de seus objetos e textos. </P> <P>Depois da queda de Berlim, há um mundo sem imaginação, de um só modelo, um mundo do pensamento único, com concentração absurda de riquezas nas mãos de poucos e pobreza generalizada. É o mundo da rasura dos direitos. O mundo do aquecimento global, da destruição da natureza e da vida, ignorado pelas empresas e governos no dia-a-dia e &#8220;celebrado&#8221; cúpulas marketeiras de G-20 etc. É, sob o disfarce da democracia, o mundo totalitário do pensamento único, que nem Adolf Hitler sonharia.</P><SPAN> <P>Leia mais sobre <a href="http://busca.igbusca.com.br/app/search?s=us_content&amp;o=ULTIMOSEGUNDO&amp;first_o=ULTIMOSEGUNDO&amp;q=Muro%20de%20Berlim" target="_top">Muro de Berlim</a></P></SPAN></p>
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		<title>Eleições picadinhas são mal digeridas por Obama</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 11:17:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Blinder, de NY</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>

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		<description><![CDATA[NOVA YORK-&#160; Existe uma orgia de análises sobre eleições picadas realizadas terça-feira nos EUA, mas não é possível fazer uma comoção federal sobre os resultados. É verdade que o picadinho saiu mal passado para o presidente democrata Barack Obama. Ele tem dificuldade para digerir os votos, especialmente quando gostaria de estar celebrando com um banquete [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>NOVA YORK-&nbsp; Existe uma orgia de análises sobre eleições picadas realizadas terça-feira nos EUA, mas não é possível fazer uma comoção federal sobre os resultados. É verdade que o picadinho saiu mal passado para o presidente democrata Barack Obama. Ele tem dificuldade para digerir os votos, especialmente quando gostaria de estar celebrando com um banquete de marketing um ano de sua eleição histórica.<UL><br />
<LI><a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/opiniao/caio_blinder/veja_mais/noticias.html?ini=0" target="_top">Leia todas as colunas de Caio Blinder</a></LI></UL><br />
<P>&nbsp;</P><br />
<P>A oposição republicana recebeu uma vitamina moral (e em menor escala política) com as vitórias dos seus candidatos a governador nos estados de Virgínia e Nova Jersey. Vale insistir que neste tipo de pleito, os fatores locais e o peso dos candiidatos valem muito mais do que uma avaliação sobre o primeiro ano da era Obama.</P><br />
<P>Muitas vezes, porém, é dificil separar o local do federal. Se, de um lado, é exagero dizer que as eleições foram um referendo sobre o governo Obama; de outro, é preciso admitir que os eleitores transmitiram uma mensagem de alerta&nbsp; Existe um clima generalizado de desencanto no país, com o quadro econômico, a explosão do déficit e as promessas não cumpridas do grande orador Barack Obama.</P><br />
<P>O presidente está tendo dificuldades para consolidar a coalizão armada no ano passado, que atraiu independentes. Nestes pleitos em Nova Jersey e Virgínia, eleitores independentes (que muias vezes são conservadores desiludidos) se bandearam para os republicanos. Ademais, os setores mais conservadores se mostram muito aguerridos e mobilizaram suas bases com mais intensidade. Não houve a mesma motivação do lado democrata. Isto mostra que a mágica Obama não é facilmente transférivel, o que pode prenunciar problemas para os democratas nas eleições de 2010, quando estarão em jogo todas as cadeiras da Câmara e 1/3 do Senado.</P><br />
<P>Há, porém, um alerta também para os republicanos. Curiosamente, a eleição que mais chamou atençào foi no remoto distrito 23, convocada para uma repor uma cadeira de deputado no estado de Nova York, numa região que faz fronteira com o Canadá.&nbsp;É o fim do mundo, mas se tornou o centro dos debates políticos. Setores mais conservadores se insurgiram e resolveram endossar um candidato realmente de direita que nem concorria pelo partido. Deu confusão e cisão. A prória candidata republicana caiu fora da corrida e endossou o democrata. Este democrata acabou ganhando num distrito que era feudo republicano desde o século 19. A lição para os republicanos é o perigo de um desvio excessivo para a direita, o que seria mal digerido pelos eleitores.</P><br />
<P>Leia mais sobre <a href="http://busca.igbusca.com.br/app/search?o=ULTIMOSEGUNDO&amp;q=Estados+Unidos" target="_top">Estados Unidos</a></P></p>
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		<title>Dia de muitas surpresas no Oriente Médio</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 08:50:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nahum Sirotsky, de Israel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>

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		<description><![CDATA[O dia foi de muitas notícias no Oriente Médio. Hillary Clinton, a secretária de Estado dos EUA, deu uma tropeçada na visita a Israel da onde seguiu para o Marrocos e sentiu as dores de falar alem do conveniente.Em Jerusalém ela disse que nada tinha contra Israel continuar seu programa de construções de habitações nos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O dia foi de muitas notícias no Oriente Médio. Hillary Clinton, a secretária de Estado dos EUA, deu uma tropeçada na visita a Israel da onde seguiu para o Marrocos e sentiu as dores de falar alem do conveniente.<P>Em Jerusalém ela disse que nada tinha contra Israel continuar seu programa de construções de habitações nos centros urbanos israelenses já existentes, exatamente o que teria de desagradar os palestinos e mundo árabe. Não deu outra, bastou para não obter progresso algum em suas conversas com os palestinos, sua recepção pelas lideranças árabes no Marrocos, para onde seguiu, foi gelada. </P><br />
<P>Então, acrescentou uma ida ao Cairo para um encontro não programado com antecedência com Mubarak, o presidente egípcio, e aproveitar a oportunidade para esclarecer que fora mal entendida em Jerusalém. Não, os Estados Unidos não aprovavam as construções. Imagino que Obama &#8211; o que não confessará- terá tido sentimento de insatisfação com o resultado, provavelmente contentamento com o tropeço dela<BR>cuja posição terá sido enfraquecida.</P><br />
<P>Abu Mazen,o presidente da Autoridade Palestina, aprofundou sua resistência a retomar negociações de paz com Netanyahu, de Israel.</P><br />
<P>As coisas na Assembleia Geral da ONU caminham contra Israel o que era previsível. São 58 votos de igual número <BR>países islâmicos que a maioria dos países prefere não desagradar.A Assembleia Geral da ONU vai aprovar o relatório sobre Gaza que condena Israel. Em Ancara, capital da Turquia, nação islâmica com a qual Israel mantinha excelentes relações até a guerra de Gaza, estudantes turcos jogaram tomates no embaixador de Israel pela primeira vez numa manifestação favorável aos palestinos.</P><br />
<P>O pior aconteceu no mar. A marinha de Israel , provavelmente graças a bom serviço de inteligência, deteve um cargueiro super carregado de containeres, que encaminhou a um porto israelense.Verificou-se que os containeres levavam carga de armas do Irã que seriam para os arsenais sírios e do Hezbollah. Os porta-vozes israelenses afirmam que eram suficientes para um mês de guerra do Partido de Deus. Continha mais mísseis do que o total utilizado para o bombardeio da região norte do país durante o ultimo confronto, prova de que o Irã armava seus aliados, declararam.</P><br />
<P>A industria bélica do Irã é da mais alta qualidade. O país mantém um milhão de homens em armas. Mas a questão não ficou ai. O general Amos Yadlin, diretor dos Serviços Militares de Inteligência, arma cuja competência representa a diferença entre vitoria e fracasso nos combates, anunciou que a Frente de Resistência Islâmica que domina Gaza,o Hamas, testou foguete com o alcance de 60 quilômetros que pode atingir Tel Aviv, o principal centro industrial e comercial maior centro cultural de Israel.</P><br />
<P>O diário  Jerusalem Post especula que teria sido contrabandeado e que o Hamas teria arsenal mais poderoso do que na época da guerra de Israel com Gaza. Especula que o míssil é uma reserva para a hipótese indesejável por Israel e o Hamas de um novo confronto. </P><br />
<P>O contrabando entra por túneis entre o deserto do Sinai e Gaza. Estima-se que sejam 600 nos quais trabalhariam 15 mil palestinos. O governo montado pelo Hamas tem um Ministro dos túneis para autorizá-los e operado mediante certas taxas. São um grande negócio na Faixa que vive sob o cerco de Israel e Egito. </P><br />
<P>O JP afirma que lado algum quer novo confronto. Fawzi Barhum, porta-voz do Hamas, distribuiu declaração na qual, sem desmentir ou confirmar que existe a nova arma, acusa Israel de usar a informação para influir no debate sobre o relatório que terá lugar das Nações Unidas esta semana . Não posso esquecer que forças armadas existem para evitarem guerras para as quais sempre se preparam.<BR></P></p>
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		<title>Obama, eleição histórica e governo decente, nada mais</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Nov 2009 07:21:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Blinder, de NY</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>

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		<description><![CDATA[NOVA YORK- Um ano da eleição de Barack Obama e não temos motivos para grandes comoções, decepções ou celebrações neste 4 de novembro. Nada tão surpreendente na era Obama. No poder, ele é basicamente o que apregoou na campanha em termos pessoais e profissionais. Claro que o presidente é um liberal, mas não de uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>NOVA YORK- Um ano da eleição de Barack Obama e não temos motivos para grandes comoções, decepções ou celebrações neste 4 de novembro. Nada tão surpreendente na era Obama. No poder, ele é basicamente o que apregoou na campanha em termos pessoais e profissionais. Claro que o presidente é um liberal, mas não de uma escola revolucionária. Usando um palavrão, Obama é um incrementalista. <BR><P>Por instinto e formação (aqui se deve entender que liberal significa esquerdista no ideário americano), ele acredita que o Estado pode fazer bem. A crise econômica deu mais espaço para o ativismo governamental, mas nada na escala paranóica denunciada por conservadores que embarcaram numa cruzada populista contra o presidente que eles consideram socialista ou nacional-socialista. Esquerdistas também forçam a barra. Dizem-se frustrados com as concessões de Obama aos tubarões de Wall Street e sua relutância para implantar uma agenda progressista. De novo, Obama talvez tenha carregado um pouco na oratória de campanha, mas trabalha dentro de uma realidade circunscrita.</P><br />
<P>Obama é um politico pragmático e conciliatório. Isto não impediu que amainasse a polarização política. Basta ver como ele atua nas excruciantes negociações sobre a reforma da saúde. Prefere limitar as ambições de reforma em troca de alguns parcos votos republicanos. Obama é um político, não um santo ou um cavaleiro alado da esperança. De qualquer forma, cai do cavalo. Para uns, ele não passa de um ingênuo com sua papagaiada de reconciliação global ou fim das divisões partidárias dentro dos EUA. Para outros, é um cínico, manipulador de expectativas.</P><br />
<P>Para mim, Obama é um presidente decente, enfronhado em dilemas da pesada como o Afeganistão, uma crise que ele simplesmente não pode ignorar. Seu processo deliberativo sobre o envio de tropas adicionais ao Afeganistão é visto como prova de indecisão por críticos conservadores. Mas o que eles queriam? George W. Bush precisava provar que era um destemido homem de decisões. Tomava decisões erradas em questão de segundos sem refletir muito ou simplesmente sem refletir.</P><br />
<P>A casa não caiu com Obama. Neste final de 2009, o país se afastou do precipício econômico, no qual se encontrava na época de sua eleição em 4 de novembro passado. É um alívio, mas não muito mais do que isto. Em política externa, nada muito impressionante. O Prêmio Nobel da Paz, a ser recolhido em dezembro, é constrangedor</P><br />
<P>Obama prometeu um novo engajamento com o mundo. A imagem americana é melhor no exterior, mas resultados concretos não são muito frutíferos. Um presidente meio idolatrado pelo mundo não está fazendo muito e mostra-se incapaz de persuadir países estrangeiros a se moverem na direção do tal bem comum. Além dos dilemas no Afeganistão (agravados pelo fiasco da reeleição de Hamid Karzai), temos o aprofundamento da crise paquistanesa, os iranianos tratando os americanos (e o mundo) como idiotas com as enrolações nas negociações nucleares, China e Rússia sem apetide para concessões substantivas, israelenses e árabes fazendo trapo da costura diplomática da Casa Branca no Oriente Médio e a impotência do presidente para convencer o seu próprio Congresso a derreter a resistência contra um pacto global em mudanças climáticas. </P><br />
<P>Mais perto do Brasil, temos a crise em Honduras. Houve uma mudança de paradigma, com os EUA desta vez sem um alinhamento automático no seu quintal com um golpinho conservador e quem sabe o ativismo diplomatico norte-americano dos últimos dias resolva este impasse sobre quem manda no país. Mas, cá entre nós, como uma crise hondurenha se converteu no epicentro do jogo hemisférico? Nos EUA, o imbroglio em Tegucigalpa não está no radar neste balanço do primeiro aniversário de uma eleição histórica, que resultou em um governo mediano. </P><br />
<P>Sendo generoso, Obama merece uma nota 6, um pouco acima da sua taxa de aprovação popular. Obama, por enquanto, é um presidente decente, não muito mais.</P></p>
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		<title>Claude Lévi-Strauss</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Nov 2009 02:25:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Régis Bonvicino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo e Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo e opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>

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		<description><![CDATA[Morreu Claude Lévi-Strauss, aos 100 anos. Conversei sobre ele com a artista plástica norte-americana Susanna Heller, na Poets House, em Nova York, onde fiz uma leitura de poemas recentemente. Heller encantou-se com as fotos que ele fez do Centro velho de São Paulo, estampadas no extraordinário livro Fotógrafos franceses em São Paulo (Imprensa Oficial do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Morreu Claude Lévi-Strauss, aos 100 anos. Conversei sobre ele com a artista plástica norte-americana Susanna Heller, na Poets House, em Nova York, onde fiz uma leitura de poemas recentemente. <P>Heller encantou-se com as fotos que ele fez do Centro velho de São Paulo, estampadas no extraordinário livro <EM>Fotógrafos franceses em São Paulo</EM> (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo), que havia dado de presente a uma amiga.</P><br />
<P>Heller ficou impressionada, em especial, com uma das fotos de Lévi-Strauss: algumas cabeças de gado tangidas em plena Rua da Liberdade, ao lado do bonde, lotado, de homens de terno, gravata e chapéu, e de umas poucas mulheres encasacadas. O bonde trazia, em sua testa, o letreiro Vila Mariana. Lévi-Strauss a bateu entre 1935 e 1939, quando lecionou na USP.</P><br />
<P>Disse-lhe que ela me lembrava uma do suíço-americano Robert Frank: a do vaqueiro em Nova York, intitulada Rodeo, da espetacular série <EM>The Americans</EM>. A foto de Frank é do final dos anos 1950. Todavia, ambas flagram o rural no urbano ou, em outras palavras, o processo vindouro do esmagamento do campo pela cidade, entre outras coisas. Os passageiros do bonde, àquela altura, já olhavam surpresos para o rebanho, cabisbaixo.</P><br />
<P>Heller me perguntou se Claude ainda estava vivo. Contei-lhe que se tornou antropólogo no Brasil, ao estudar os índios Kadiveu e os Bororo nos anos 1930. Ela conhecia Tristes trópicos, escrito com base em suas experiências brasileiras. Lembrei-me da frase inicial: Odeio as viagens e os exploradores, que revelava toda a virada etnocêntrica do pensador francês, despojado do espírito da pilhagem. O assunto mudou, não sem antes Heller notar as semelhanças de Centro velho de São Paulo, daquela época, com o de Nova York.</P><br />
<P>Pouco me importam os rótulos: estruturalismo teoricismo, formalismo, abstracionismo. Ele mesmo detestava o termo estruturalismo, que decretava degradado pelos amigos e adversários. Prefiro reler, como poeta, <EM>As estruturas elementares do parentesco</EM> (1949), que encontrou em Simone de Beauvoir sua primeira resenhista. E todos os seus livros. Sem seu olhar, os índios teriam menos direitos do que têm hoje. Os índios estariam ainda mais dizimados. E, com eles, a natureza ou o que ainda resta dela. Provavelmente, a contracultura dos anos 1960 não teria a dimensão que teve sem as ideias desse belga de nascimento.</P><br />
<P>Lévi-Strauss deu estatura internacional ao Brasil  um país de cultura provinciana, que se move por meio dos corretores intelectuais, para usar a expressão do próprio antropólogo. O conceito de uma literatura voltada para o Brasil, surgida com a Semana de Arte Moderna de 1922, encontrou profundidade nas pesquisas de Lévi-Strauss. Leia-se Nesse Brasil que conhecera certos êxitos individuais brilhantes, mas raros  Euclides da Cunha, Oswaldo Cruz, Chagas, Villa-Lobos , a cultura permanecera, até época recente, um brinquedo para ricos.</P><br />
<P>Era porque essa oligarquia precisava de uma opinião pública de inspiração civil e laica, para fazer frente à influência da Igreja e do Exército, assim como ao poder pessoal, que, ao criar a Universidade de São Paulo, ela se propôs levar a cultura a uma clientela mais vasta (in Tristes trópicos, 1955). Como paulistano, permito-me trazer à tona algumas de suas observações sobre a cidade: A cidade desenvolve-se a tal velocidade que é impossível obter seu mapa: cada semana demandaria uma nova edição (in <EM>Tristes trópicos</EM>). Frase charmosa, que não o impediu de apontar os seus horrores, já nos anos 1930.</P><br />
<P>Lévi-Strauss discutia sua antológica feiura: E, contudo, nunca me pareceu feia: era uma cidade selvagem, como o são todas as cidades americanas. E é ainda em <EM>Tristes trópicos</EM> que encontro certa explicação para a foto que evoquei no início: Mas, os milionários abandonaram a Avenida Paulista. [...] Suas residências de inspiração californiana, em cimento misturado à mica e com sacadas de ferro fundido, deixam-se entrever no fundo de jardins abertos aos pequenos bosques rústicos onde se implantam esses loteamentos para ricos. Pastos de vaca estendem-se ao pé de imóveis em concreto&#8230;.</P><br />
<P>Lévi-Strauss, com seus trabalhos, mostrou à civilização (branca) todo o seu desconforto e aí reside sua centralidade crítica para o futuro: A (minha) vocação etnológica talvez tenha sido mesmo um refúgio contra uma civilização, um século, em que a gente não se sente à vontade. Lévi-Strauss levantou suspeitas corretas sobre o etnocentrismo e o desastre ecológico que provocou. O aquecimento global é prova disso.</P><br />
<P>É importante recordar sua definição de cultura, imprescindível para aqueles que não se contentam com os limites do mercado e do desgoverno oficialista: Em sua acepção geral, cultura designa o enriquecimento esclarecido do juízo e da capacidade de distinção (De perto e de longe, Claude Lévi-Strauss &amp; Didier Eribon). Assiste-se, nessa quadra histórica, a um movimento de indistinção generalizado, evidenciando a morte da crítica, a morte da arte, da literatura, da poesia.</P><br />
<P>Lévi-Strauss ponderava que os membros de uma cultura são ao mesmo tempo observadores e agentes. Onde estão eles hoje? Nessa mesma trilha, entendia  corretamente  a cultura do rock (pop) e a dos quadrinhos mais como fenômenos sociológicos. Chegou a falar em malversação intelectual. Quem teria coragem para afirmar isso aqui e agora, em um país onde Chico Buarque é considerado prosador-modelo por críticos marxistas?</P><br />
<P>Lévi-Strauss opunha-se igualmente à ideia de síntese de uma cultura, tópica ainda valorizada no Brasil  irredutível a uma interpretação, como qualquer outro país ou cultura. Basta de malversação intelectual. O autor de <EM>Tristes trópicos</EM> dialogou com gigantes como Roman Jakobson, Jaques Lacan, Michel Foucault, Roland Barthes (todos fascistas?) e outros, que também contribuíram para definir ideias não para o século 20, mas para o futuro.</P><br />
<P>Lévi-Strauss influenciou todas as artes e todos os campos de conhecimento. Não creio, por exemplo, que o Cinema Novo, de Glauber Rocha, para dar um exemplo qualquer, pudesse existir sem seu pensamento  ele, um estrangeiro que se voltou para o Brasil e mostrou a relevância de seus índios, de seus recursos naturais, de seu interior.</P><br />
<P>Talvez os Parangolés, de Hélio Oiticica tenham esse traço etnográfico, ao romper com a representação renascentista e incorporar as margens. Aliás, foi graças ao trabalho sobre os Bororo, em Mato Grosso do Sul, que ele, Claude, foi convidado para um primeiro período em Nova York e lá conviveu com artistas de primeira linha, do movimento surrealista, entre eles o insuperável Marcel Duchamp  a quem se referia como afável  e Max Ernst, de quem se tornou próximo.</P><br />
<P>Lévi-Strauss afirmava que a mitologia de cada cultura se construía em torno de oposições binárias: o quente e o frio, o cru e o cozido, o animal e o humano, o molhado e o queimado  pensamento que se condensou em um livro chamado exatamente <EM>O cru e o cozido</EM>, de 1964.</P><br />
<P>Talvez ele apreciasse ler o poema Fazer o seco, fazer o úmido, de João Cabral de Melo Neto, do livro <EM>A educação pela pedra</EM> (1966). As ideias de Claude eram poéticas. E estavam no ar naqueles incríveis anos 1960 e 1970. Deixo então aos leitores o poema como homenagem a este que libertou a antropologia de suas próprias fronteiras e a tornou obrigatória para todos. </P><br />
<P><STRONG>Fazer o seco, fazer o úmido</STRONG><BR> <BR>A gente de uma capital entre mangues,<BR>gente de pavio e alma encharcada,<BR>se acolhe sob uma música tão resseca<BR>que vai ao timbre de punhal, navalha.<BR>Talvez o metal sem húmus dessa música,<BR>ácido e elétrico, pedernal de isqueiro,<BR>lhe dê uma chispa capaz de tocar fogo<BR>na molhada alma pavio, molhada mesmo<BR> <BR>*<BR> <BR>A gente de uma Caatinga entre secas,<BR>entre datas de seca e seca sem datas<BR>se acolhe sob uma música tão líquida<BR>que bem poderia executar-se com água.<BR>Talvez as gotas úmidas dessa música<BR>que a gente dali faz chover de violas,<BR>umedeçam, e se não com a água da água,<BR>com a convivência da água, langorosa.</P><br />
<P> </P></p>
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		<title>Lévi-Strauss</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Nov 2009 02:25:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Régis Bonvicino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[Mundo]]></category>

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		<description><![CDATA[Morreu Claude Lévi-Strauss, aos 100 anos. Conversei sobre ele com a artista plástica norte-americana Susanna Heller, no Poets House, de Nova Iorque, onde fiz uma leitura de poemas recentemente. Heller encantou-se com as fotos que ele fez do centro velho de São Paulo, estampadas no extraordinário livro Fotógrafos franceses em São Paulo, (Imprensa Oficial do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Morreu Claude Lévi-Strauss, aos 100 anos. Conversei sobre ele com a artista plástica norte-americana Susanna Heller, no Poets House, de Nova Iorque, onde fiz uma leitura de poemas recentemente. <P>Heller encantou-se com as fotos que ele fez do centro velho de São Paulo, estampadas no extraordinário livro Fotógrafos franceses em São Paulo, (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo), que havia dado de presente a uma amiga. Heller ficou impressionada, em especial, com uma foto de Lévi-Strauss: algumas cabeças de gado tangidas em plena Rua da Liberdade, ao lado do bonde, lotado, de homens de terno, gravata e chapéu e de umas poucas mulheres encasacadas. O bonde trazia, em sua testa, o letreiro Vila Mariana. Disse-lhe que ela me lembrava uma outra do suíço-americano Robert Frank: a do vaqueiro em Nova Iorque, intitulada Rodeo, da espetacular série The Americans. Lévi-Strauss bateu essa foto entre 1935 e 1939, quando lecionou na USP. A de Frank é do final dos anos 1950. Todavia, ambas flagram o rural no urbano ou, em outras palavras, o processo vindouro do esmagamento do campo pela cidade, entre outras coisas. Os passageiros do bonde, àquela altura, já olhavam surpresos para o rebanho, cabisbaixo. Heller me perguntou se Claude ainda estava vivo. Contei-lhe que se tornou um antropólogo no Brasil, ao estudar os índios Kadiveu e os Bororo. Ela conhecia Tristes Trópicos, escrito com base em suas experiências brasileiras. Lembrei-me da frase inicial: Odeio as viagens e os exploradores, que revelava toda a virada etnocêntrica do pensador francês, despojado do espírito da pilhagem. O assunto mudou, não sem antes Heller notar as semelhanças de centro velho de São Paulo, daquela época, com o de Nova Iorque. </P><br />
<P>Pouco me importam os rótulos: estruturalismo teoricismo, formalismo, abstracionismo. Em vez de debatê-los, prefiro reler, como poeta, As Formas Elementares do Parentesco (1949), que encontrou em Simone de Beauvoir sua primeira resenhista. Sem seu olhar, os índios teriam menos direitos do que têm hoje. Provavelmente, a contracultura dos anos 1960 não teria a dimensão que teve. Para me valer de suas categorias binárias às avessas, ele foi o branco que não se opôs ao negro Martin Luther King. Lévi-Strauss deu estatura internacional ao Brasil  um país de cultura provinciana, que se move por meio dos corretores intelectuais, para usar expressão do próprio antropólogo. </P><br />
<P>A idéia de uma literatura voltada para o Brasil, surgida com a Semana de Arte Moderna de 1922, encontrou profundidade nas pesquisas de Lévi-Strauss. Leia-se Nesse Brasil que conhecera certos êxitos individuais brilhantes, mas raros  Euclides da Cunha, Oswaldo Cruz, Chagas, Villa-Lobos , a cultura permanecera, até época recente, um brinquedo para ricos. Era porque essa oligarquia precisava de uma opinião pública de inspiração civil e laica, para fazer frente à influência da Igreja e do exército, assim como ao poder pessoal, que, ao criar a Universidade de São Paulo, ela se propôs levar a cultura a uma clientela mais vasta (in Tristes Trópicos, 1955). Como paulistano, permito-me trazer à tona algumas de suas observações sobre a cidade: A cidade desenvolve-se a tal velocidade que é impossível obter seu mapa: cada semana demandaria uma nova edição (in Tristes Trópicos). Frase charmosa, que não o impediu de apontar os seus horrores, já nos anos 1930.&nbsp; Lévi-Strauss discutia sua antológica feiúra: E, contudo, nunca me pareceu feia: era uma cidade selvagem, como o são todas as cidades americanas. E é ainda em Tristes Trópicos que encontro uma certa explicação para a foto que evoquei no início: Mas, os milionários abandonaram a Avenida Paulista. (&#8230;). Suas residências de inspiração californiana, em cimento misturado à mica e com sacadas de ferro fundido, deixam-se entrever no fundo de jardins abertos aos pequenos bosques rústicos onde se implantam esses loteamentos para ricos. Pastos de vaca estendem-se ao pé de imóveis em concreto&#8230;. Lévi-Strauss, com seus trabalhos, mostrou à civilização (branca) todo o seu desconforto e aí reside sua centralidade crítica para o futuro: A (minha) vocação etnológica talvez tenha sido mesmo um refúgio contra uma civilização, um século, em&nbsp;&nbsp; que a gente não se sente à vontade. </P><br />
<P>Lévi-Strauss influenciou todas as artes e todos os campos de conhecimento. Não creio, por exemplo, que o Cinema Novo, de Glauber Rocha, pudesse existir sem seu pensamento  ele, um estrangeiro que se voltou para o Brasil e mostrou a relevância de seus índios. Aliás, foi graças ao trabalho sobre os índios Bororo, do Mato Grosso do Sul, que foi convidado para um primeiro período em Nova Iorque e lá conviveu com artistas de primeira linha, entre eles o insuperável Marcel Duchamp  a quem se referia como afável  e Max Ernst, de quem se tornou próximo. Lévi-Strauss afirmava que a mitologia de cada cultura se construía em torno de oposições binárias: o quente e o frio, o cru e o cozido, o animal e o humano, o molhado e o queimado  pensamento que se condensou num livro chamado exatamente O Cru e o Cozido, de 1964. Talvez ele apreciasse o poema Fazer o seco, fazer o úmido, de João Cabral de Melo Neto, do livro A Educação pela pedra (1966). As idéias de Claude eram poéticas. E estavam no ar naqueles incríveis anos 1960. Deixo então aos leitores o poema como homenagem a este que libertou a antropologia de suas próprias fronteiras e a tornou obrigatória para todos.&nbsp; </P><br />
<P>Fazer o seco, fazer o úmido</P><br />
<P>A gente de uma capital entre mangues,</P><br />
<P>gente de pavio e alma encharcada,</P><br />
<P>se acolhe sob uma música tão resseca</P><br />
<P>que vai ao timbre de punhal, navalha.</P><br />
<P>Talvez o metal sem húmus dessa música,</P><br />
<P>ácido e elétrico, pedernal de isqueiro,</P><br />
<P>lhe dê uma chispa capaz de tocar fogo</P><br />
<P>na molhada alma pavio, molhada mesmo</P><br />
<P>*</P><br />
<P>A gente de uma Caatinga entre secas,</P><br />
<P>entre datas de seca e seca sem datas</P><br />
<P>se acolhe sob uma música tão líquida</P><br />
<P>que bem poderia executar-se com água.</P><br />
<P>Talvez as gotas úmidas dessa música</P><br />
<P>que a gente dali faz chover de violas,</P><br />
<P>umedeçam, e senão com a água da água,</P><br />
<P>com a convivência da água, langorosa.<BR></P></p>
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		<title>Republicanos esperam estragar festa de um ano da eleição de Obama</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Nov 2009 10:16:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Blinder, de NY</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>

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		<description><![CDATA[NOVA YORK- Na quarta-feira, primeiro aniversário da eleição triunfal de Barack Obama, a oposição republicana espera celebrar com as derrotas dos democratas nesta terça-feira nas eleições para governador nos estados de Nova Jersey e Virgínia. Competições locais não deveriam gerar grandes comoções exceto para os habitantes locais&#160; (eu, por exemplo, vivo em um subúrbio na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>NOVA YORK- Na quarta-feira, primeiro aniversário da eleição triunfal de Barack Obama, a oposição republicana espera celebrar com as derrotas dos democratas nesta terça-feira nas eleições para governador nos estados de Nova Jersey e Virgínia. Competições locais não deveriam gerar grandes comoções exceto para os habitantes locais&nbsp; (eu, por exemplo, vivo em um subúrbio na imensa área metropolitana de Nova York que fica no estado de Nova Jersey). No entanto, existe uma obsessão para medir Obama quase que diariamente e qualquer coisa se converte em um referendo sobre o presidente. <UL><br />
<LI><a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/opiniao/caio_blinder/veja_mais/noticias.html?ini=0" target="_top">Leia todas as colunas de Caio Blinder</a></LI></UL><br />
<P>&nbsp;</P><br />
<P>Claro que Obama não se preocuparia se os democratas tivessem garantidas estas duas eleições para governador. Em primeiro lugar, isto está longe de acontecer e, em segundo, a taxa de aprovação do presidente está derrapando (embora ainda seja saudável na faixa dos 50%) e existe um sentimento generalizado de desencanto. A mágica acabou e Obama, de fato, tem motivos para se preocupar caso se faça muita onda com estas votações locais. </P><br />
<P>Em Nova Jersey, é uma disputa marcada por comerciais negativos entre o governador democrata Joe Corzine e o desafiante republicano Chris Christie. Corzine tem a infelicidade de ser ex-banqueiro e ex-senador (duas profissões não muito populares hoje em dia) e Christie tem a felicidade essencial de não ser Corzine. Nova Jersey está sofrendo bastante com a crise econômica e seus impostos são muito salgados para a média nacional (eu que o diga). O estado nos últimos anos se tornou solidamente democrata, mas a disputa entre Corzine e e Christie está acirrada. Não dá para fazer prognóstico. </P><br />
<P>Virgínia fez história em 2008: pela primeira vez desde 1964 seus eleitores votaram em um candidato presidencial democrata. Isto não vai acontecer nesta terça-feira no pleito para governador, pois o republicano Bob McDonnell tem vantagem folgada sobre o democrata Creigh Deeds. Na Virgínia, a Casa Branca já está resignada com a derrota democrata, enquanto mobilizou recursos (e o próprio Obama de cabo eleitoral) para tentar o resgate de Corzine em Nova Jersey.</P><br />
<P>Perder nos dois estados será chato para Obama. Já para os republicanos, será uma injeção de moral, depois das perdas nas eleições para o Congresso em 2006 e para Casa Branca e de novo Congresso em 2008. Aliás, se vencerem nos dois estados nesta terça-feira, os republicanos vão dizer que os resultados sinalizam tendências para as eleições no Congresso em 2010, quando estarão em jogo todas as cadeiras da Câmara e 1/3 do Senado. </P><br />
<P>Já os democratas esperam que 2009 será um repeteco de 1981. No ano anterior, fora a a histórica eleição presidencial do republicano Ronald Reagan. Em 1981, os republicanos conseguiram uma vitória suada na eleição para governador em Nova Jersey, enquanto os democratas arrebataram Virgínia pela primeira vez em mais de uma década. No ano seguinte, 1982, os republicanos perderam cadeiras no Congresso (como costuma acontecer com o partido do presidente no meio de mandato). No entanto, Reagan conseguiu um segundo mandato de forma estrondosa em 1984.</P><br />
<P>O ícone conservador é o referencial de Obama para 2012.</P><br />
<P>Leia mais sobre <a href="http://busca.igbusca.com.br/app/search?o=ULTIMOSEGUNDO&amp;q=Barack+Obama" target="_top">Barack Obama</a></P></p>
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